domingo, 10 de maio de 2009

A Farsa do Plano Real ( I )


Sua excelência Robert Rubin, presidente do Brasil!

Quando era menino, o secretário do tesouro dos EUA, Robert Rubin, sonhava ser presidente do Brasil. E em 1999 seu sonho se realizou. É claro que, como tem endereço em Washington e nacionalidade americana, Rubin conquistou o controle do Brasil da única maneira que podia: por intermédio de um golpe brilhante.
Em Outubro de 1998, o presidente nominal do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi reeleito para o cargo por um único motivo: tinha estabilizado o valor da moeda brasileira e, portanto, contido a inflação. Na verdade, não tinha. O real brasileiro estava ridiculamente supervalorizado. Mas, com a aproximação das eleições, sua taxa de câmbio contra o dólar simplesmente desafiava a gravidade. Esse milagre levou Cardoso à linha de chegada com 54% dos votos.
Mas não existem milagres.
Quinze dias depois da posse de FHC, o real despencou e morreu. Seis meses depois da eleição, ele tinha aproximadamente a metade de seu valor no dia da eleição. A inflação está aumentando e a economia implodindo. A taxa de aprovação de Cardoso, que se revelou um incompetente e uma farsa, caiu para 23% do eleitorado. Tarde demais. Ele já havia colocado a presidência no bolso.
Quer dizer, mais ou menos. Não restava muito da presidência de Cardoso além do título. Todas as políticas importantes, do orçamento ao emprego, são ditadas pelo FMI e seu órgão irmão, o Banco Mundial. E por trás deles, dando as cartas, estava o secretário do Tesouro Rubin, que governou de fato como presidente do Brasil sem precisar perder uma única festa em Manhattan. Mas esse é o preço que Cardoso pagou pelos serviços de Rubin na campanha eleitoral. Pois foi o secretário do Tesouro quem, junto com o FMI, manteve a moeda brasileira alta.
Rubin teve bons motivos para manter a dúbia moeda brasileira, além de ajudar FHC. Sabendo muito bem que a moeda seria destroçada logo depois da eleição, o Tesouro dos EUA garantiu que os bancos americanos conseguissem tirar seu dinheiro do país em condições favoráveis. Entre julho de 2002 e a posse em janeiro do ano seguinte, as reservas em dólar do Brasil caíram de 70 bilhões de dólares para 26 bilhões de dólares, um sinal de que os banqueiros pegaram seu dinheiro e fugiram. Mas a moeda permaneceu em alta antes da eleição porque os EUA deixaram clara sua intenção de substituir as reservas perdidas por um pacote de empréstimos do FMI.
E também se deixou muito claro para os eleitores que os fundos seriam entregues apenas a FHC, e jamais ao Partido dos Trabalhadores, da oposição. O apoio da elite internacional a FHC foi selado pela presença, em julho, no Rio, de Peter Mandelson, cão-de-caça político do primeiro ministro britânico, Tony Blair. O estranho e inédito apoio de Mandelson a FHC marcou o ingresso oficial de Cardoso no projeto da Terceira Via de Clinton e Blair.
Retirado do Livro de Greg Palast "A melhor democracia que o dinheiro pode comprar".

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O porco e o espírito de porco


O Porco são as notícias sobre infectados e mortos. O espírito de porco são as notícas descabeladas sobre a gripe suína. Não precisa ser muito inteligente para perceber que aí tem coisa...a burguesia tenta desviar a atenção do povo do fracasso atual do sistema.Diante duma ameaça a saúde pública mundial, de uma ameaça que poderá matar milhares de vítimas e cuja disseminação deveria ser contida de imediato por meio de rigorosas medidas de isolamento levadas a cabo pelos países não infectados ou nas regiões em que os cidadãos foram infectados, mas o isolamento não é feito!Pois passando por uma crise estrutural o sistema poderia abalar-se ainda mais com o isolamento dos mercados!Povos da Europa e dos EUA, estão assolados por uma epidemia muito mais grave: o desemprego.Uma pandemia nesse momento viria bem a calhar para os barões do sistema financeiro que poderiam novamente sair à rua em paz, sem o risco de levarem umas porradas.O povo, como sempre crédulo, vai colocar suas máscaras e deixar os criminosos em paz.

Grandes Pensadores: John Maynard Keynes


Com Keynes o foco dos estudos em economia desloca-se da esfera microeconômica para a macroeconômica, ou seja, para a explicação do que determina o nível agregado de produto e de renda no curto prazo. Uma das questões importantes que Keynes destaca é que o comportamento do todo pode ser diferente do que é planejado pelos agentes econômicos, agindo separadamente e na ignorância sobre as decisões dos demais. Assim sua teoria em contraposição a outras correntes de pensamento em economia, define a determinação do nível de renda e produto no curto prazo como o objeto de estudo da macroeconomia. Essa preocupação se coloca porque forças de mercado atuando livremente não garantem necessariamente que a economia alcance o nível de produto de pleno emprego da força de trabalho. O produto gerado em uma economia de mercado em um período de tempo, segundo essa visão, é determinado pela demanda efetiva, ou seja, o quanto os agentes econômicos estão dispostos a gastar em determinado período.
Keynes desenvolveu sua teoria voltada para explicar como a economia pode operar abaixo do pleno emprego por períodos sucessivos de tempo. Em seu modelo teórico, os agentes tomam decisões com base em expectativas, sem que haja qualquer mecanismo que garanta que o que foi planejado será o realizado. O volume de emprego ofertado em determinado momento é resultado de expectativas de venda dos empresários, que ajustam sua produção e, consequentemente, a oferta de emprego, conforme percebem os sinais do mercado.
No sistema contábil de inspiração keynesiana, a produção visa ao mercado e é entendida como um processo que se desdobra no tempo, conduzido por empresas. Dessa forma, a mensuração do produto agregado considera que a geração de bens e serviços está relacionada com a geração de renda que decorre durante o processo de produção, tornando os fluxos de produção e renda, medidos num mesmo período, iguais. A produção gerada tem como destino o mercado, em que os bens e serviços são demandados para consumo final ao longo do tempo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ministro Guido Mantega

“Todos nós nos tornamos pós-keynesianos, e Keynes ficaria espantado com o tamanho das intervenções que estão sendo feitas”. (Em relação ao grau de intervencionismo alcançado pelo Estado no decorrer da atual crise)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Alteração constante da composição técnica do capital promove alterações na composição orgânica.

A composição técnica do capital é a relação entre capital constante e capital variável em termos de valor-de-uso. É uma massa de meios de produção relacionada com a quantidade de força de trabalho necessária para colocar os meios de produção em ação. A composição técnica se altera devido ao progresso da tecnologia, cujo objetivo é a obtenção de lucros extras no mercado. E o que verificamos é a tendência de constante elevação da composição orgânica do capital, devido ao aumento da produtividade do trabalho. Cada vez mais é necessária uma quantidade menor de trabalhadores para operar uma quantidade maior de máquinas e equipamentos.
O capitalista ao fazer um pacote de investimentos já terá determinado na máquina a quantidade de trabalhadores que serão necessários para operá-la, eliminando os trabalhadores que sobraram. Dependendo da indústria os trabalhadores podem ser mais ou menos qualificados, depende do tipo de máquina que irão operar. Algumas exigem apenas movimentos mecânicos dos trabalhadores, que qualquer trabalhador com um treinamento mínimo pode fazer, outras exigem trabalhadores extremamente qualificados.
Cada vez mais trabalhadores são expulsos do processo de produção aumentando ainda mais o exército industrial de reserva (força de trabalho desempregada) ou superpopulação relativa (população supérflua às necessidades do capital). Esse é um conceito extremamente importante para se compreender a lei geral da acumulação capitalista.
Produzir mais-valia é a lei absoluta do modo capitalista de produção e para tentar extrair cada vez mais, é necessário introduzir novas tecnologias no processo de produção com o objetivo de obter lucros extras ou mais-valia extraordinária. Isso promove o progresso tecnológico que altera a composição orgânica do capital (capital constante e variável do ponto de vista do valor), alterando a produtividade social do trabalho.
A super-população relativa vai servir de condição fundamental ao sistema econômico capitalista, porque ela tem como função fazer com que os salários da população ativa, caiam em virtude da grande quantidade de força de trabalho ofertada no mercado. Reduzindo também o poder de barganha dos sindicatos, pois sempre que o capitalista quiser expandir seu processo de produção, ele irá encontrar trabalhadores disponíveis no mercado.

Lei Geral da simulação capitalista

Na lei geral da simulação capitalista temos produção de um pólo de riqueza de um lado da sociedade, de alta produtividade social do trabalho provocada pelo progresso tecnológico, e por outro lado a criação de um contingente de excluídos, do processo de geração e participação da riqueza, que aumentam o pauperismo e miséria da sociedade.
A mesma lei que promove o lucro e a mais-valia, sem a qual não há produção, promove a produção de um exército de trabalhadores supérfluos, desempregados já que a produtividade do trabalho é cada vez maior, e é necessário cada vez mais um número menor de trabalhadores para por em ação uma quantidade maior de máquinas e equipamentos.
O aumento da produtividade social do trabalho é caracterizado pelo aumento da produção, por unidade de tempo de cada trabalhador, resultado da introdução de novas tecnologias que fazem com que os trabalhadores produzam mais, sem dispêndio maior de energia (poupando trabalho). Tendo como conseqüência a liberação de vários trabalhadores do processo de produção, ou seja, vai haver um decréscimo relativo na parte variável do capital (embora possa aumentar em termos absolutos) e um acréscimo relativo da parte constante. Isso significa uma tendência de elevação da composição orgânica do capital (o numerador “c” cresce e o denominador “v” cai), cada vez mais uma parcela maior dos novos investimentos é aplicada em máquinas e equipamentos e cada vez menos investida em força de trabalho, que vai sendo substituída por máquinas, aumentando a superpopulação relativa ao qual Marx chamou de exército industrial de reserva, isso tudo é tecnologicamente determinado porque elas próprias (as máquinas) ditam o ritmo e organização do processo de produção.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O Salário e a Jornada de Trabalho

A relação capitalista/trabalhador inicia-se no mercado (compra da força de trabalho) e posteriormente na esfera da produção. Sabemos que lá o capitalista vai consumir a força de trabalho comprada através da jornada de trabalho, por exemplo, 8h diárias de trabalho divididas em tempo de trabalho necessário e tempo de trabalho excedente, aparentando que o trabalhador recebe por toda a jornada de trabalho. Só que a forma salário (valor-de-troca da força de trabalho) aparece como o valor do trabalho, o que não é verdade, ela representa o valor da força de trabalho (daí o problema de Smith e Ricardo não conseguirem explicar o lucro sem violar a lei do valor). Só se vende e se realiza o trabalho depois que se realiza o contrato (venda da força de trabalho) aliena-se o valor-de-uso da força de trabalho que é justamente trabalhar e produzir, criar valor e mais valor no processo de produção.
Mais uma vez então o problema esta localizado na antítese valor-de-uso e valor (da força de trabalho); pois o capitalista vai consumir o valor da mercadoria força de trabalho como qualquer outro comprador. Contudo ele paga a utilização da força de trabalho correspondente a um dia, então ele pode consumir muito mais do que 8h dessa mercadoria, mas existe um limite físico natural de consumo da força de trabalho que impede o seu consumo durante as 24h do dia, o trabalhador tem que descansar (mínimo 12h). O salário aparece no mercado como sendo o valor do trabalho, o que o trabalhador executa dentro da empresa é o trabalho e o que vende fora, no mercado, é a força de trabalho que tem como valor-de-uso criar e produzir mais valor no processo de produção.
O salário, forma de manifestação de valor da mercadoria força de trabalho, é uma forma enganadora, pois ela aparenta ser o valor do trabalho (trabalho não se vende, trabalho é uma atividade). Todas as formas de manifestação de fenômenos são enganadoras. Por exemplo, a energia em si é uma categoria abstrata que pode assumir diferentes formas, os físicos para estudarem especificamente a energia têm que pegar uma das suas diferentes formas de manifestação. O mesmo acontece na economia, as categorias da economia política são abstratas, quando se necessita analisá-las do ponto de vista empírico (ponto de vista real), temos que pegar uma de suas formas de manifestação. Pois as formas é que são concretas e possíveis de pegar e analisar. Portanto era pra termos a força de trabalho tendo seu valor pago ao trabalhador, mas o que se vê no mercado é o valor do trabalho sendo pago.